AS TEORIAS DE CONTINUIDADE NA SAGA STAR WARS.

A POESIA, A TEORIA DO ANEL E O MONOMITO DE JOSEPH CAMPBELL (considerando apenas os seis filmes originais). 

“Uma coisa interessante sobre Star Wars- e eu nunca deixei isso bem claro pois não é tão importante- é que existe muito acontecendo que a maioria das pessoas ainda não notou. Mas quando elas notarem, elas vão descobrir que é bem mais difícil de se entender do que se imagina”- George Lucas 

Você provavelmente já deve ter notado que nos filmes de Star Wars há em alguns casos certas referencias que a trilogia Prequel apresenta em relação a trilogia Clássica. Fãs e alguns pesquisadores começaram a notar que essas referências não podem ser fruto de mera coincidência, mas é fruto de algo planejado e orquestrado pela mente de George Lucas.

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Star Wars, quando pensamos em Star Wars, já vem a nossa cabeça uma das aberturas mais famosas e bem dirigidas da história do cinema. Um letreiro amarelo surge e desaparece, e então no espaço, vemos uma pequena nave indo em direção ao horizonte, você nota que ela está sendo perseguida por uma nave de tamanho inimaginável (Um efeito da direção excelente de George Lucas, nessa cena você já nota que a nave pequena é “do bem” e a nave grande é “o mal opressor”).

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É claro que estou falando da abertura de “Uma Nova Esperança”. Agora vamos compará-la com a abertura de “A Ameaça Fantasma”.
O Texto em amarelo desaparece para o infinito, a câmera se move para baixo, vemos uma pequena nave que rapidamente passa pela câmera e então pousa.
Bem, nada parecido com a abertura de “Uma Nova Esperança”, mas nós claramente vemos que “A Ameaça Fantasma” e “Uma Nova Esperança” possuem referencias e estilos muitos próximos típicos de um início de Star Wars. Podemos ver vários detalhes nos dois episódios que são muito semelhantes.

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Mas então, vamos tentar comparar essa cena de “A Ameaça Fantasma” com outra Cena inicial de um filme de Star Wars, vamos compará-la com a cena inicial de “O Retorno de Jedi”:
Na abertura de o “O Retorno de Jedi”, uma pequena nave imperial sai de um Star Destroyer e pede que a Estrela da Morte desative o escudo e os deem permissão de pouso. Dentro da sala de controle, o capitão dá a permissão da nave de continuar no seu percurso. A Nave pousa na Estrela da morte. 

Bem, agora sim, são cenas visualmente bem próximas, vamos agora compará-las mais a fundo. Em ambas as cenas uma nave pequena surge e pede permissão para pousar em uma estação espacial maior e arredondada que orbita um “planeta esverdeado”, ambas possuem um estilo de filmagem muito semelhante.

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É claro que existe uma diferença, enquanto no Episódio I a nave pequena representa a Republica, “os mocinhos”, no Episódio VI a nave pequena transporta o vilão Darth Vader. Segundo, no episódio I, é possível ver pela janela frontal da nave, o planeta Naboo, na nave do episódio VI você apenas vê a Estrela da Morte em construção (pode ter um significado simbólico por trás). Terceiro, o movimento da nave na tela é praticamente o oposto. O Cruzador da República se move pela tela, da esquerda para a direita, a Nave Imperial se move da Direita para a Esquerda. Até alguns dos ângulos da câmera são reversos. Quando o Cruzador da República pousa no hangar da Nave da Federação, nós o vemos por um ângulo de câmera inferior, agora quando a Nave da República pousa na Estrela da Morte, nós a vemos por um ângulo de câmera superior. É praticamente como se as duas cenas fossem espelhadas uma em relação a outra, ou seja, como se elas fossem um oposto.

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Não há como essas duas cenas serem tão próximas e forem apenas coincidência, muito acontece em Star Wars que nós ainda não compreendemos, vou tentar explicar aqui as três teorias que explicam essa “continuidade” e “repetição” que ocorrem na trilogia Prequel e na Trilogia Original baseando em cenas dos próprios filmes.
Continuidade pelo Monomito de Joseph Campbell:.
Em 2000, Anne Lancashire,  professora de “Estudos de Cinema e Drama” da Universidade de Toronto (Canadá) escreveu em seu ensaio, “A Ameaça Fantasma: Repetição, Variação, Integração” a seguinte afirmação:
“Não é uma série narrativa independente de Sequencias e Prequelas ( como acontece normalmente), focada num gênero de filme e/ou atores especifico\papéis, nem uma série narrativa que possuí meramente episódios interligados, mas uma saga épica e mitológica- cheia de locais exóticos e monstros como as sagas do passado- consistindo de seis partes mutuamente dependentes interligadas por uma narrativa complexa e bem orquestrada, mitológica e metafórica.”

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Isso significa que Lucas estava expandindo a trilogia Clássica em um “sexteto épico, com padrões no clímax e estrutura,  alusões cinemáticas, e significado gráfico acima de todas as inter-relações”. Então de acordo com Anne, cada filme deveria ser lido de acordo com o todo em termos do “quadro todo”.
O próprio Lucas fez alusão a isso em uma entrevista após o lançamento do “Ataque dos Clones” em 2002: “Cada episódio tem que se manter individualmente e ter um significado próprio- pelo fato de ser um capitulo de um livro. Não o Livro todo. Não posso sacrificar um pelo outro, então eu tenho que toda hora balancear entre o “agora” e o quadro todo. O “agora” tem que ser bem trabalhado, mas o quadro todo é o que realmente importa”
Uma das inspirações mais importantes de Star Wars é o monomito de Joseph Campbell. Para quem não sabe, o monomito foi proposto em 1942 por Joseph Campbell em seu livro “O Herói de Mil Faces”, em que o autor compara inúmeras mitologias e constrói a jornada do herói arquétipo, ou seja, ele defende que todos os heróis de todos os grandes mitos seguem uma estrutura fundamental denominada de o Monomito. Enfim, pretendo não entrar em muitos detalhes porque o texto já é longo, alonga-lo ainda mais não vai dar certo mas um Spoiler, grande parte dos filmes que você assiste e ama é baseado nesse monomito.

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Quando os três primeiros Star Wars vieram, notou-se claramente que a Jornada de Luke Skywalker seguia o monomito, mas muitos não notaram que a história de Anakin também seguia este mesmo padrão em um quadro Maior. George Lucas claramente repetiu o Padrão mitológico da Trilogia Clássica, num quadro maior.
Como o clímax de “Uma Nova Esperança”, o de “Ameaça Fantasma” nos leva nos leva para os três estágios do Monomito de Joseph Campbell. “A partida do Herói (em sua jornada) ”, A Iniciação (“Testes e Experiências”), e o Retorno (Vitória Final). Este é o padrão que a trilogia Clássica segue para Luke em seus três filmes. Em “Uma Nova Esperança” Luke conhece um mentor que o leva para uma grande aventura, ele começa adquirindo uma pequena vitória, mas em “Império Contra-ataca” o poder contrário se mostra ainda mais desafiador ao herói que é obrigado a fugir e começa a se questionar. Na terceira etapa o herói adquiriu a experiência necessária e ela enfrenta e derrota de vez esse mal. Bem vemos claramente que a trilogia Original tem muito a ver com o monomito de Joseph Campbell, mas e a trilogia Prequel? Simples, a trilogia Prequel na verdade é complemente do Monomito total de Anakin Skywalker. Se analisarmos toda a saga Star Wars, Anakin passa pelo Monomito de Joseph Campbell por todos os episódios, começa com sua Iniciação e termina com o Retorno apresentando sua redenção final quando ele consegue derrotar seu Lado Sombrio e o Imperador, cumprindo a Profecia do Escolhido. Temos a Iniciação de Anakin quando ele é encontrado por Qui Gon Jinn em Tatooine (assim como Obi Wan encontra Luke no deserto de Junkland). Anakin então passa por um teste e é levado pelos Jedi para enfrentar o mal “maior”,  em “Ataque dos Clones”, “A Vingança dos Sith”, “Uma Nova Esperança” e “O Império Contra-ataca” temos a segunda parte, quando o herói começa a falhar e se questionar, e é nesse momento que Anakin se torna Vader, em que ele se torna o Mal que ele tenta combater, em “O Retorno de Jedi”, começa a terceira parte, Anakin começa a se questionar e no fim derrota o mal que tinha que combater, então vemos uma sincronia perfeita da Jornada do Herói em um Quadro Maior, tanto para Luke quanto para Anakin.

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Lembremos que a Jornada do Herói não acontece em Star Wars apenas para Anakin e Luke, mas para os vários outros heróis da saga, até mesmo Obi Wan, Padmé, Yoda, Leia, Han, Ahsoka, Ezra, Kanan, Jar Jar, Rey, Finn, quem sabe até Kylo e por aí vai nas inúmeras histórias. Alguns terminam sua jornada do Herói em só um filme, outros demoram um pouco mais e outros a jornada ainda nem terminou, sendo que a jornada pode se repetir diversas vezes para o mesmo personagem.
A Poesia: 

Dentro do próprio monomito em Star Wars, temos a poesia, que é a repetição de eventos parecidos em ordem, ou ordem inversa. Nesse caso teremos duas continuidades. Numa primeira linha de pensamento podemos dizer que o episódio I e o episódio IV são muito parecidos, assim como o episódio II e V e assim como o episódio III e o episódio VI. Podemos dizer que as jornadas de Luke e Anakin se aproximam nessas duas trilogias, primeiro temos a figura paterna inicial (Obi Wan e Qui Gon) que apresenta esse mundo maior para os heróis, morrendo no final dos respectivos filmes iniciais, temos que nos segundos filmes os heróis passam por muita dificuldade. Anakin perde sua mãe e Luke perde a visão que tinha sobre seu pai. No sexto filme vemos a grande tentação sendo apresentada aos heróis, Anakin falha, mas Luke não.
Enfim, mas mesmo com o Monomito e a Poesia não chegamos nem perto de explicar a saga como um todo e suas complexidades, então surge a ideia do anel.

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Teoria do Anel:
A Teoria do Anel é uma das mais difundidas entre aqueles que querem entender a continuidade e complexidade de Star Wars.
Vemos sim que o episódio I apresenta muitas características do episódio IV, mas como eu disse antes, a primeira cena do episódio I é quase como um Espelho da primeira cena do episódio VI e repetindo, não pode ser simplesmente coincidência. Então colocamos a Teoria do Anel, apontando que a saga Star Wars seria cíclica. Vamos pensar assim, no início do Episódio I a saga começa em um determinado ponto, e ela vai caminhando pelas Prequels até o episódio III onde temos o ponto de início da trilogia Clássica que segue em direção ao episódio VI que determinaria no mesmo ponto que o Episódio I começa.

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Pensando assim teríamos algo espelhado, as Prequels saindo do ponto A e indo em direção ao B, e os Clássicos saindo do ponto B e indo em direção ao A. Dessa forma podemos ver várias semelhanças reversas entre os episódios. Por exemplo, se consideramos que o Episódio II e o Episódio V se encontram em direções opostas, podemos notar que a história de ambos e praticamente oposta também. O Episódio II começa com uma perseguição (Carros em Coruscant), uma fuga as escondidas (Anakin e Padmé fugindo para Naboo) e um Jedi sozinho procurando por respostas, o episódio termina com uma Batalha entre a República e os Separatistas. Agora se analisarmos o episódio V ele começa com uma batalha (Batalha de Hoth) entre o Império e os Rebeldes sendo que, pode-se ver claramente que a República no ep II ataca da Direita para a Esquerda assim como o Império (seria uma alusão ao fato da República futuramente se tornar o Império). Agora analisando o episódio III e o ep IV seguindo a mesma lógica. O Episódio III começa com uma batalha espacial, termina com um Star Destroyer e a construção da Estrela da Morte, o ep IV começa com a Estrela da Morte pronta e termina com uma batalha espacial. Agora o episódio I e VI acontece de forma um pouco diferente, ambos episódios são espelhados em relação ao outro, mas seguem a mesma continuidade. Como assim? Simples, as cenas iniciais de ambos episódios são bem semelhantes, o mesmo lugar onde a primeira cena acontece, a última Batalha acontece. Existe uma semelhança entre os exércitos primitivos que lutam nessa batalha final, Gungas e Ewoks, Jar Jar e Wicket. Mas enfim.

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Notando essa forma de pensamento vemos que Star Wars é mais complexo do que imaginávamos. Existem várias formas de explicar a continuidade da saga, e posso citar vários momentos que vemos repetição de temas ou até mesmo cenas visualmente muito parecidas. Vemos por trás de tudo isso, a mente de George Lucas que conseguiu criar uma saga mitológica tão complexa que atraí gerações e nos faz querer entender até hoje. Claro que pretendo fazer muito mais artigos sobre esse assunto e quaisquer repetições que encontrar, além de sentidos mitológicos. Qualquer dúvida comente, e por favor compartilhem para que o máximo de pessoas possam aproveitar.
~GreyJedi

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